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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ritmos e Tradições

O documentário “Tambores do Brasil” trata do folclore brasileiro e algumas ramificações que nasceram e se desenvolveram com o povo para o povo. Exemplos do que foi visto foram o Candomblé na Bahia, o Maracatu em Pernambuco, o Bumba-meu-boi no Maranhão e o Congado em Minas Gerais. Cada um com sua cultura de origem popular e formação, constituído por seus costumes e tradições populares transmitidos de geração em geração.
O candomblé é uma religião da África e recriada pelos escravos africanos trazidos para o Brasil aproximadamente em 1525. Na segunda metade do século XIX, em diversas cidades do Brasil, surgiram grupos organizados de escravos que recriavam cultos religiosos que reproduziam não somente a religião africana, mas também outros aspectos da sua cultura na África. Nascia a religião afro-brasileira chamada de candomblé; primeiro na Bahia e depois pelo país afora. No tempo das senzalas, os negros para poderem cultuar seus Orixás usavam como camuflagem um altar com imagens de santos católicos e por baixo dos assentamentos escondidos. Depois da libertação dos escravos começaram a surgir as primeiras casas de candomblé.
O Congado e contado um pouco pela pesquisadora Pedrina dos Santos, capitã da guarda de moçambique de Nossa Senhora do Rosário das Mercês que fala sobre a sua origem, que está relacionado com a Igreja Nossa Senhora do Rosário, situada na antiga Vila Rica. Conta-se a lenda que um escravo veio da África com outros membros de sua família, nessa viagem perdera a mulher e seus filhos, com exceção de um. Com as economias obtidas no trabalho aos domingos e dias santos, conseguiu a alforria de seu filho. Em seguida obteve a própria alforria e a dos demais súditos de sua nação.
A quantidade de negros era três vezes maior que a de brancos e conseguiam impor respeito. É considerado um elo perdido entre as religiões africanas e os católicos que se misturaram e buscaram uma só harmonia, mesclando os festejos populares religiosos afro e os elementos religiosos do catolicismo. O congado moçambique originalmente é um som mais agudo vindo diretamente da África. Dentre os seus ritmos destacam-se o Manso Acima e o Manso Abaixo que se diferencia pelo ritmo mais devagar para o acelerado. A festa do Rosário é uma festa religiosa com aspecto social, segundo Pedrina dos Santos seria uma religião dos negros, através da renovação perpétua ao longo do tempo.
O Bumba-meu-boi fica com os comentários de Ariano Suassuna, Mestre Antônio, Mestre Meia-Noite, dentre outros, que mostraram um pouco sobre o folclore religioso. Desde a mistura dos instrumentos de sopro com a cuíca, percussão aos principais ritmos do bumba-meu-boi que podem ser destacados: Matraca, Zabumba e Orquestra.
A Matraca é um instrumento de percussão que tem o som obtido através de duas madeiras em atrito batendo em ritmo frenético que dão um som espetacular, utilizado para o acompanhamento do Bumba-meu-boi denominado matraca, que é composto por um grupo de pessoas com suas respectivas matracas, o pandeiro de couro e a cuíca que faz o som do boi. O Bumba-meu-boi zabumba, além da cuíca, são utilizados os pandeiros, maracás de lata e chocalhos, visto com um ritmo mais negro e com muita percussão. Já o orquestra tem sua principal característica o acompanhamento de instrumentos de sopro e a sanfona, considerado mais alegre.
O bumba-meu-boi é uma das mais ricas manifestações do folclore brasileiro. Vindo dos escravos e pessoas pobres que moravam nas senzalas dos engenhos e fazendas, conquistando primeiramente a simpatia dos indígenas durante a catequese e se destaca por suas danças, encenações e música animada.
O Maracatu é inspirado na tradição africana onde era permitido na época que os escravos expressar publicamente suas tradições e religiões em uma época do ano. Misturando caixas, tambores, cuíca, surdo, saxofone, corneta, trombone, dentre outros, fazendo variações de ritmos. O maracatu é um ritmo tradicional do nordeste do Brasil, principalmente nas cidades de Recife e Olinda. Armando Arruda, presidente do grupo Maracatu de Baque Virado, Leão de Judá e Vilma Carijós também falam sobre a diferença do Maracatu Rural, um ritmo promovido pela percussão e um desfile com baianas, caboclos dançando, dando saltos e fazendo malabarismos. Com a abolição da escravatura levou o Maracatu a desfilar seus batuques e danças nos dias dos Santos Reis, nas festas de Nossa Senhora do Rosário e no Carnaval, é considerado um cortejo africano, religioso e fazem os povos se unirem não pelo nome e sim pelo ritmo, fazendo com que todos se comuniquem.
“A experiência e a tradição ensinam que toda cultura só absorve, assimila e elabora em geral os traços de outras culturas, quando estes encontram uma possibilidade de ajuste aos seus quadros de vida.” Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil - pág 11)
Portanto é possível concluir que os negros foram fundamentais para a formação da cultura e do povo brasileiro. Influenciaram significantemente nos passos seguidos por cada um de nós e não é preciso estar na África ou se tornar negro para reconhecer a importância desses povos em nossa organização. Absorvermos a tradição, assimilamos e elaboramos novos traços que dão nossa cara brasileira com o sangue africano.

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